Masturbação Precoce e Natural

Por: Dr. Rubens Paulo Gonçalves

Masturbação é o ato de auto-excitação que tem como fim atingir o orgasmo. É também chamada, erroneamente, de “onanismo” devido à passagem bíblica de Gêneses cap. 38 em que Onã, (de onde tem origem a palavra) é obrigado a ter relações com sua cunhada após a morte de seu irmão para produzir um herdeiro, porém decide fazer com que o sêmen se perca e passa a ejacular fora da vagina. A confusão se faz, portanto, porque na masturbação o sêmen também é perdido, porém o “onanaismo” equivale ao coito interrompido e não à masturbação. 
A masturbação precoce é aquela que aparece na infância ou na pré-adolescência. Muitas vezes encontramos uma menina de três ou quatro anos encostada em algum lugar esfregando sua pelve ou mesmo com o dedo no clitóris; o mesmo se dá com o menino excitando seu pênis em um ato masturbatório precoce. Nos dois casos deve-se intervir da mesma maneira com o mesmo cuidado e com a mesma delicadeza, sem considerar que o que a criança está fazendo é errado ou “feio”. Uma abordagem interessante neste momento é explicar que masturbar-se, como evacuar ou o urinar, são atos íntimos e que não se deve expô-los a quem quer que seja. 
A masturbação é absolutamente natural na adolescência e os mitos que a consideram prejudicial à saúde, tanto do jovem quanto da jovem, são frutos de desconhecimento e ignorância. Qual é o número ou a freqüência normal para o ato masturbatório na adolescência? Isso depende muito de cada jovem e do grau de excitação a que cada um está submetido. O fato deve ser encarado como prejudicial quando o ato masturbatório se torna tão freqüente a ponto de isolar o jovem de contatos sociais e diminuir sua capacidade de relacionar-se, mas a intervenção deve ser no sentido de resolver suas angústias e frustrações e não policialesco ou repressor. 
Por ser um ato de produção de auto-prazer, a masturbação, quando excessiva, pode ser resultante de desamparo ou de não complementação e insegurança nos relacionamentos, de modo que em todas as idades devemos procurar identificar e tartar as angústias que levam ao ato e não o fato em si. 
Em homens, mesmo quando excessiva, a masturbação não causa nenhuma alteração. 
Em mulheres pode haver aumento do pequeno lábio direito em pacientes destras e do esquerdo em canhotas - isso acontece por traumatismo constante do lábio. Quando alguma jovem me procura por notar esse aumento eu costumo na sala de exame, só com ela, explicar-lhe o que acontece e sugerir-lhe que se masturbe com a mão oposta pois assim os dois lábios ficarão iguais. Isso é falado após um longo preâmbulo em que considero que todas as mulheres de sua família se masturbam ou se masturbaram na mesma idade (“Até minha mãe?” “Até sua mãe!”) e que este é um ato absolutamente normal.